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Jorge Vercillo (via duardaangel)
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Eu estava cansada. Estava a ponto de dar um basta em tudo, principalmente na saudade. Abri meu guarda roupa, puxei todas as roupas para baixo e procurei pelo vestido mais provocante que tinha. Perdida em tanto pano e mágoas, revirei peça por peça e encontrei o decote perfeito. Experimentei-o por cima do meu pijama velho e pronto, lá estava eu sorrindo mais uma vez. Aquele sorriso era diferente dos convencionais e extintos - havia vingança. Estendi a minha veste fatal em cima da cama, passei por cima das outras roupas que estavam no chão e tropecei no amor próprio. Peguei-o e guardei comigo, afinal, eu o procurei a muito tempo e hoje, iria usa-lo para completar meu traje. Tomei um banho simples de 45 minutos e durante o mesmo, degustei um bom vinho e ouvi ótimas músicas enquanto estava na banheira. Sorria, ria gostoso e sentia poder. Era isso o que eu deveria ter feito antes, gostaria de ter encontrado essa liberdade há semanas atrás, quando chorava enquanto você bebia e se divertia por aí. Cantarolava alto, rodopiava até o quarto, passava óleo corporal e seguia o compasso da música penteando meus cabelos. Estava feliz e me sentia mulher. Em frente a penteadeira, fazia a maquiagem. Evidenciava o olhar, caprichava na cor para os lábios e colocava os acessórios. Aquela gargantilha era linda, valorizava meu colo e claro, estava muito sensual. Minha sandália era alta, salto fino e muito confortável - ótima para pisar em quem havia me esmagado com termos horríveis - então, sorri mais uma vez. Meus cabelos estavam quase prontos, só faltava o spray para finalizar. Minutos depois, eu estava pronta. Não só para uma festa, mas para a vida. Fui festejar com quatro amigas, mas falávamos por trinta. Bebemos, roubamos olhares e mais olhares, ríamos como se não houvesse amanhã e só por um instante me esqueci de ti e por mim, esse “instante” deveria durar para sempre. Recebi guardanapos com vários números e senti vários cheiros, mas foi o teu que ficou em meu nariz. É sempre assim, onde vou - independente do lugar que seja - tem algo seu. Não me abalei, só deixei fluir. Porque depois dessa noitada, por mais confiante que eu estivesse, sabia que ao me deitar na cama, iria curtir um pouco de saudade de você.

Agora eu tô te amando quietinha, sem mandar cartas, sem discar o seu número, sem passar em frente a sua casa. Afinal do que adianta gritar pra meio mundo ouvir o quanto nós temos que ficar juntos, se você não é capaz de mover um dedo pra que isso seja possível? De quê adianta eu dá píti quando mais uma menina idiota vem pedir seu telefone, recusando todas as suas circunstâncias (que só eu sou obrigada a lembrar), se você não dá um passo em minha direção pra que elas vejam pra onde o seu destino aponta? De quê adianta ter toda a certeza do mundo de que eu sou a mulher da sua vida, se eu não faço parte dela? Tati Bernardi
Caio F. Abreu (via romantizei)
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